Humanização da Mulher II

Mauro Jordão
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Com o Renascimento, a liberdade de pensamento conseguiu romper o lacre do baú do conhecimento entesourado nos mosteiros da Idade Medieval, surgindo daí uma mescla de religiosidade humanística a qual permitiu reconhecer na mulher sua identidade feminina.

Na metade do séc. XIX nasce a ginecologia com o objetivo de estudar e entender o sexo feminino. A metodologia científica deu os seus primeiros passos, no séc. XV, com Galileu, utilizada mais tarde pelos anatomistas e fisiologistas, centrados no útero - órgão de poder da mulher para fabricar gente, na busca de desvendar os seus mistérios. Já era um bom começo; ainda, não revelada no todo, mas buscava-se entre tese e antítese ver a mulher como mulher, coisa revelada e definida por Deus desde o princípio da Criação: "... homem e mulher os criou" Gênesis 1:27.

Em 1869, Francis Galton cria o termo "eugenia", demonstrando que a ciência estava a serviço da sociedade na busca do aperfeiçoamento da raça humana. Karl Pearson defende a ideia que a multiplicação desordenada dos pobres ameaça a humanidade, sendo dever das raças superiores e intelectualizadas dominarem as inferiores. De modo alegórico Orwell no livro "A Revolução dos Bichos" cita a frase do líder da classe social dos porcos: "Todos são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros". Em 1912, Margaret Singer evoca o controle da natalidade como proposta da libertação feminina.

A romancista Simone de Beauvoir, companheira de Sartre, afirmava que a mulher não nasce mulher, mas é feita mulher. A história das riquezas está centrada na qualidade e na quantidade daqueles que pelo conhecimento e pela mão de obra pudessem, pelo trabalho escravo ou salário vil, aumentar a produtividade capitalista e socialista. Os recursos do poder também foram usados para sufocar movimentos políticos e revolucionários que visassem a divisão dos bens das classes privilegiadas a favor dos desfavorecidos.