Orgulho nacional

Em meio à peste bubônica, que se propagava a partir do porto de Santos, em 1899, foi instalado um laboratório de produção de soro para combater a doença. Nascia o Instituto Butantan, que completa hoje 120 anos. Desde lá, sua importância só cresceu e o local se transformou em um destacado centro de pesquisa biomédica, que integra pesquisas científicas e tecnológicas, produção de imunobiológicos e divulgação técnico-científica, com foco na inovação.

Referência nacional, o Instituto Butantan é o principal produtor de imunobiológicos do Brasil. É responsável por grande porcentagem da produção de soros hiperimunes e grande volume da produção nacional dos antígenos vacinais que compõem as vacinas utilizadas no Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde. Hoje, os laboratórios e fábricas do Butantan produzem 12 soros contra o envenenamento de cobras, escorpiões, aranhas e lagartas, e contra difteria, tétano, botulismo e raiva, além de sete vacinas - raiva, HPV, Hepatite A, Hepatite B, Influenza Trivalente, H1N1 e DTPa.

Em 2021, o Instituto Butantan se depara com o grande desafio de produzir a vacina contra a Covid-19. E não vem sendo fácil. Brigas políticas e falta de estratégia antecipada dificultam o trabalho do instituto que, mesmo assim, vem fazendo sua parte e dando conta do recado.

Na sexta-feira passada, as cidades do Alto Tietê reclamaram da falta de estoque da vacina e de informação precisa por parte do governo estadual de São Paulo. "Sem previsão", informaram as prefeituras ao repórter do Grupo Mogi News, Luiz Kurpel. Ao profissional da nossa equipe, o Estado, por sua vez, se defendeu informando que os municípios já haviam recebido doses suficientes para imunizar os públicos-alvos previstos até o momento.

Ontem, a gestão João Doria (PSDB) garantiu que não haverá falta de vacina. Que assim seja! Pensando em longo prazo, ainda estamos no início da vacinação e já nos deparamos com muitos problemas logísticos para a entrega do medicamento. Pelo Instituto Butantan, que hoje completa 120 anos: não nos envergonhe.