O presidente e o vírus

Afonso Pola
Afonso Pola - FOTO: Daniel Carvalho/Mogi News

Ultrapassamos a marca de 255 mil mortes e de 10,5 milhões de infectados por Covid. Diferentemente de muitos países onde os números começam a declinar, aqui estamos vivendo um momento de intenso crescimento desses números. Em inúmeras cidades brasileiras o sistema de saúde está à beira de um colapso.

As novas cepas do coronavírus que estão em circulação, ao que tudo indica, são mais transmissíveis e justamente quando elas aparecem, as pessoas mais desobedecem às recomendações indicadas para se tentar conter o avanço da doença.

Alheio a todas essas evidências, nosso presidente continua com postura negacionista em relação à gravidade dessa pandemia fazendo seguidas aparições sem o uso da máscara e provocando aglomerações de seus seguidores. No dia que completou um ano do registro do primeiro caso de Covid-19, o presidente em sua live fez referência a um suposto estudo alemão que indicaria que o uso de máscaras faria mal às crianças. Esse suposto estudo na verdade teve como base uma enquete online preenchida por pais ou responsáveis de 25 mil crianças e adolescentes e que não permite nenhuma conclusão sequer parecida daquela que foi manifestada pelo presidente. Todos os estudos consistentes concluem que as medidas de higienização, mais o uso de máscara e o distanciamento social são os únicos meios de impedir a propagação intensa da doença.

Enquanto a vacinação avança num bom ritmo em diversos países, no Brasil ainda estamos muito distantes de uma situação confortável. Apenas 3,11% da população brasileira já tomou a primeira dose da vacina (estamos em 47º lugar em imunização proporcional), enquanto Israel (1º lugar), por exemplo, já tem 52,5% dos seus cidadãos com pelo menos uma dose. No Reino Unido (4º lugar) esse número está em 28,8%.

Nosso ritmo de vacinação está lento porque nosso governo não se mobilizou para adquirir vacinas rapidamente e em quantidade necessária. Estamos mais uma vez na contramão do mundo. Antes com a companhia dos EUA, agora estamos só.

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Afonso Pola é sociólogo e professor