Incoerência

O início da volta às aulas presencias vem sendo desafiador para as escolas. O Grupo Mogi News acompanha a situação com o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) desde o decreto que determinou a retomada e, mesmo com esforços de professores e funcionários, muitas instituições de ensino não contam infraestrutura para tal. Embora os protocolos sejam seguidos pelas escolas, como distanciamento entre as carteiras e rodízio de alunos, as unidades sofrem com a falta de funcionários de limpeza e inspetores para fazer a fiscalização dos alunos.

Há a realidade no papel e a da vida real. O decreto e o dia a dia. Os casos suspeitos de coronavírus (Covid-19) nas escolas da rede estadual de Mogi das Cruzes e região vêm subindo. Até o final de semana passado já eram 31, entre alunos, professores e funcionários, que foram afastados de 18 escolas em Mogi, Biritiba Mirim e Salesópolis. Além disso, o sindicato, que repudia a decisão do governo do Estado em manter as aulas presenciais, informou que há oito casos confirmados nas escolas da região.

No momento mais crítico da pandemia, no qual enfrentamos o toque de restrição, entre 23h e 5h, e a queda para a fase laranja do Plano São Paulo de Retomada Econômica - que implica em restrições ainda maiores para os comerciantes -, parece faltar critério para o retorno das aulas presenciais. Apesar da vacina, ainda levará um tempo para que a eficácia da imunização possa ser sentida na redução dos números de casos, internações e mortes. Os leitos de UTI Covid nunca estiveram tão lotados e o risco de um colapso na rede de Saúde nunca ficou tão evidente. No ano passado, em situação não tão alarmante como agora, as escolas não ofereciam aulas presencias. Então, qual o motivo de não voltar atrás da decisão e manter as aulas online?

É certo que o mundo, ainda mais se tratando de Brasil, não se preparou para suprir, de forma remota, o ensino dos nossos alunos, assim, por enquanto, nada substitui as aulas presenciais. Mas, se o lema do governo é "saúde em primeiro lugar", não há motivos para aumentar o risco de contaminação da Covid-19. Coerência nesse momento é fundamental.