Isolados

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sadfa - FOTO: divulgação

Quando a realidade e o discurso se encontram a realidade se impõe. O negacionismo de Bolsonaro está se encontrando com a realidade. Por todo o Brasil as cidades e seus sistemas de saúde, tanto público como privado não suportam a demanda crescente de doentes por Covid-19. Não há vacinação em massa e não haverá tão cedo, também não há isolamento e grande parte das pessoas não usam mascaras, muitas não se importam em aglomerar.

A questão não é apenas não ser infectado, mas ter senso de vida em sociedade, solidariedade e amor ao próximo. Usar máscara, higienizar com frequência as mãos, evitar aglomeração e só sair quando necessário não é uma conduta individual é um ato coletivo de respeito à comunidade. Quando assistimos pessoas morrendo asfixiadas nas portas dos hospitais de Manaus, assistimos o fruto de ignorar o papel de cada um em evitar a disseminação do vírus. Agora começamos a presenciar as filas de atendimento em todo o Brasil e logo, infelizmente, poderemos assistir aquelas cenas lamentáveis em qualquer lugar.

O lockdown não será imposto pelos governos, será imposto pela própria pandemia e o terror que ela trará. Os hospitais estão lotados e não é só a pandemia que gera essa demanda, outras doenças, acidentes e urgências médicas não esperam e também demandam atendimento. Não temos opção, precisamos parar de manter contato uns com os outros até que haja imunização. Precisamos de uma coordenação nacional para administrar a maior crise sanitária e humanitária que viveremos nas próximas semanas e se o governo federal não o faz de forma eficaz, que alguém o faça, sejam os prefeitos, sejam os governadores, seja a iniciativa privada, a inércia nos levará a audiência de pessoas morrendo por asfixia nas portas dos hospitais. Estamos vivendo há um ano em gravíssimas recessões econômica, crise sanitária e humanitária. A pandemia não respeita o discurso político, não respeita as pretensões eleitorais de quem quer que seja, não respeita a vida de pobres ou ricos. Já estamos pagando um preço alto demais pela ingerência da crise e caminhamos para uma catástrofe nacional.

Cedric Darwin é mestre em Direito e advogado