Nova pandemia

Especialistas em Saúde já alertam: o momento atual não se trata de uma segunda onda da pandemia. Esqueça o risco de uma terceira onda, trata-se de uma nova pandemia, com ritmo de contaminação disparatadamente mais acelerado do que no ano passado e com cenário no sistema hospitalar mais desfavorável em relação a 2020.

A lotação nos leitos de UTI e enfermaria no Hospital Municipal de Braz Cubas, por exemplo, ronda os 100% e não há perspectiva próxima de desafogo. O mesmo ocorre nos principais hospitais do Alto Tietê, como em Suzano e Itaquá. Mesmo assim, o fotógrafo do Grupo Mogi News, Emanuel Aquilera, verificou ontem pela manhã, na região central de Mogi das Cruzes, comércios abertos, como óticas e pequenas lanchonetes, descumprindo o decreto municipal da fase vermelha logo no primeiro dia.

Vivemos a semana mais devastadora desde o começo da pandemia. Segundo o governador João Doria (PSDB), nenhuma medida para barrar o vírus é descartada, inclusive um lockdown. Ontem, neste espaço, foram citados os recordes negativos que, dia a dia, a Covid-19 vem apresentando na população brasileira. E, hoje, novamente relembramos que só na terça-feira morreram mais de 1,7 mil pessoas. Novo recorde. E pior: não existe a mesma disponibilidade de leitos nos hospitais como no decorrer do ano passado.

Boa parte do mundo está conseguindo controlar a Covid-19 e não se encontra em situação tão dramática como a nossa. Diferenças culturais em relação à rigidez das normas sociais e à disposição da população em seguir regras fazem diferença neste momento. O Brasil tem o terceiro maior número de casos do mundo, com mais de 9,6 milhões de infectados, e o segundo maior número de mortos, com mais de 233 mil óbitos. O desempenho é muito ruim em casos e mortes per capita, assim como Estados Unidos e Reino Unido.

Além da pouca colaboração das pessoas, há falta de planejamento acertado. Se fala em risco de colapso na Saúde há tempos, mas a sensação é que apenas quando o calo aperta as autoridades e população acordam, quase sempre, tarde demais.