Que fase...

A fase da Câmara de Mogi das Cruzes não é boa. Desde o ano passado, a imagem da Casa de Leis do município está manchada pelo mandato de prisão de seis vereadores, em operação deflagrada pelo Ministério Público, denominada Legis Easy. Na ocasião, parlamentares e empresários foram acusados de corrupção em um esquema no qual, supostamente, vereadores eram orientados a aprovar leis que beneficiariam nomes do setor empresarial da região. O assunto foi maciçamente divulgado pela imprensa local durante todo ano de 2020. A resposta foi dada pelas urnas: nenhum dos políticos acusados foram reeleitos.

Nesta semana, o juiz da Vara da Fazenda Pública de Mogi das Cruzes, Eduardo Calvert, condenou, em primeira instância, o membro da Câmara mogiana, Carlos Lucarefski (PV), por improbidade administrativa, juntamente com duas ex-funcionárias de seu gabinete. O parlamentar foi condenado à perda dos direitos políticos por cinco anos, além da devolução de todo o valor recebido durante o último mandato. Cabe recurso.

Para quem não acompanhou, vale informar que a ação civil pública foi movida pelo Ministério Público, sob a denúncia de que duas assessoras de seu gabinete durante a última Legislatura (de 2017 a 2020) recebiam salário como funcionárias fantasmas. Na prática, não compareciam ao expediente e recebiam remuneração sem exercer o serviço público. Na decisão do juiz, as duas ex-assessoras não possuíam qualquer tipo de qualificação para exercer as funções para as quais foram contratadas, e mantinham relacionamento próximo com a família do político, o que justifica o delito de improbidade.

A Câmara de Mogi sofreu grande renovação nessa gestão, a maior dos últimos tempos. Veio em bom momento. Agora, este caso, infelizmente, aumenta a mancha no Legislativo, ainda não apagada pelo caso do ano passado. Independentemente da decisão final da Justiça no caso do vereador Carlos Lucarefski, o caso gera grande desconforto e desconfiança dos mogianos. Cabe aos atuais vereadores fazerem um papel relevante, em nome da população e do Legislativo. A responsabilidade é grande.