O dia de ontem

Afonso Pola
Afonso Pola - FOTO: Daniel Carvalho/Mogi News

No dia de ontem comemoramos mais um dia internacional da mulher, data com um tremendo significado histórico para a luta das mulheres por conquistas sociais. A data é celebrada oficialmente desde 1975, mas tem como origem as manifestações e protestos de mulheres reivindicando melhores condições de trabalho e igualdade de direitos ocorridos nos EUA e Europa no início do século 20.

Um breve olhar para a situação de homens e mulheres no mercado de trabalho já é suficiente para perceber as diferenças. A questão de gênero é determinante no mercado de trabalho. De uma forma geral, as mulheres brasileiras ganham, em média, 76% da remuneração masculina, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Mulheres negras recebem ainda menos: 43% dos salários dos homens brancos.

Mulheres que trabalham fora, invariavelmente cumprem outra jornada de trabalho com os afazeres domésticos. Seus parceiros ainda se envolvem muito pouco com essas atividades. Ou seja, as mulheres, além de cumprirem uma jornada de trabalho equivalente a dos homens em sua atividade profissional, acabam se responsabilizando também pelas tarefas domésticas e o cuidado com os filhos.

Mas temos outra questão muito urgente quando falamos da mulher. Dados do próprio governo coletados pelos canais "disque 100" e "ligue 180" registraram 105.821 denúncias de violência contra mulher no ano passado. O dado corresponde a cerca de 12 denúncias por hora. Desse total, 72% (75.894 denúncias) se referem à violência doméstica e familiar contra a mulher.

Seja essa violência física ou moral ela precisa ser combatida. O espetáculo horrendo promovido pela Comissão de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo no caso da deputada estadual Isa Penna é emblemático. Homens covardes votando para atenuar a pena de um deputado desqualificado.

Ontem eu vi uma postagem nas redes sociais que deixo como última frase: metade da população mundial é composta de mulheres, a outra metade são seus filhos..

Afonso Pola é sociólogo e professor.