O que nos espera

Afonso Pola
Afonso Pola - FOTO: Daniel Carvalho/Mogi News

Estamos na fase mais crítica da pandemia, com o sistema de saúde em colapso. Com o número de contaminados e de mortes numa trajetória ascendente, enquanto na maior parte dos países esses números estão em queda, o Brasil já é o primeiro do mundo nesses dois quesitos.

A vacinação, combinada à adoção de medidas restritivas respeitadas pela população, receita única responsável pela contenção do avanço da pandemia, anda em ritmo muito lento, pois o país não agiu rápido para consegui-la em número suficiente.

Com isso passamos a ser objeto de grande preocupação para todo o mundo. No último dia 5, a OMS pediu que o Brasil adotasse medidas agressivas para conter a pandemia e disse que o aumento dos casos de Covid-19 no país pode impactar toda a América Latina. Para o médico e neurocientista, Miguel Nicolelis, o Brasil pode viver a maior tragédia humanitária do século se não revertermos esse quadro.

No entanto, existem outros possíveis impactos importantes que o agravamento do quadro pode nos gerar, principalmente no campo da diplomacia e na economia. As restrições de deslocamento de brasileiros para outros países devem ser ampliadas, inclusive em relação aos países vizinhos. Possivelmente teremos também dificuldades nas nossas relações comerciais com vários países.

Do ponto de vista interno, o cenário econômico também não é animador. Com o elevado índice de desemprego e o intenso fechamento de pequenas empresas e pequenos comércios, não haverá demanda para a retomada do crescimento.

Não temos ministro da saúde e, considerando o ocorrido no caso da antes possível troca do Pazuello pela Dra. Ludhmila (sua desistência se deu por ela se pautar pela ciência e por isso chegou a ser ameaçada por fanáticos negacionistas), não teremos um, mesmo que alguém assuma.

No dia da divulgação pela imprensa de novas informações sobre o esquema de rachadinha envolvendo todo o clã Bolsonaro, as instituições brasileiras terão mais uma oportunidade de corrigir o rumo e impedir um desastre ainda maior.

Afonso Pola é sociólogo e professor