À aniversariante, velas edêmicas

A endemia aniversaria e cicatrizes enormes na consciência afloram, como conseqüência de extemporâneas posturas ingênuas. Ao se cair na armadilha de uma escolha incerta, também, não se consegue escapar das cicatrizes. Pouco importa a natureza do que vai se revelar! Sempre dorida! Assim é seu aniversariar!

As feridas são genéricas. No seu caso, específicas. Um segredo, a cavaleiro de uma ideia, é como um cruel e imprevisível arame farpado que se engancha, por entre rebeldes ideias quando se tenta, até de entardecer pela proa, colher a palavra certa. A mente, ferida, tem por obrigação e autonomia destravar os vínculos e joga-los para o alto. Fazer do símbolo, destino de pétala de rosa desfolhada na ânsia de se lançar à terra, que deverá adubar! Se sob a luz inquisidora da Vela, melhor!

No limiar de seu primeiro aniversário, endemia, foi-se o tempo, só de lastimar. Há tempo de aprender, de descobrir o esquecido, o enterrado, o fora de uso. A daí definir o futuro, descobrir sob um teto, nem sempre acolhedor, uma forma mais lúcida de se debruçar sobre as cicatrizes e deixar de achar que, apenas, valeu a pena. Aniversariar é descobrir uma escada, o mergulho de um barco naufragando, os tesouros que restaram de evocativo olhar.

Mesmo à distância, se sob a energia terapêutica da Vela, para que Alma se locuplete de júbilos, nunca antes palmilhados.

Endemia, no limiar de seu primeiro aniversário, já me aconselharam a procurar um terapeuta. Está difícil! Preciso de alguém que saiba lidar com segredos. Seja também solidário. Que saiba pesar a diferença entre iniciativa e vitória. Ter ressurreição de espírito quando enfrenta a página em branco e dela subtrair a cor, não identificável no arco-íris, pela via de ousada ideia. Aquela de todo conforto. A seguir, conviver com a página só de flores plantadas, iluminada pela Vela de sempre. Nada de flores colhidas. A estas só luzes sem cor.

Raul Rodrigues é engenheiro e

ex-professor universitário.