Mais do mesmo

Substituído o titular do Ministério da Saúde, o ministro continua o mesmo. Ele não é médico, não usa máscara, incentiva a aglomeração, é contra o lockdown ou qualquer medida de restrição de circulação, defende o tratamento precoce e preventivo, recomenda o uso de cloroquina, hidroxicloroquina e ivermectina e acha que a Covid-19 é uma gripezinha. Esse é o verdadeiro ministro da Saúde, Jair Bolsonaro.

Ele continuará comandando a Pasta, sem comitê de crise, sem esforço para imunização em massa, sem um plano nacional de contenção de transmissão do vírus, ou seja, muda-se o titular, mas o ministro, de fato, continua o mesmo.

Algumas cidades já começaram a impor o lockdown, não há como atender o volume de infectados. Alguns hospitais privados já começam a fechar as portas e, saturados, simplesmente fecham as portas o que em breve assistiremos na rede pública. As medidas adotadas pelo governo do Estado não reduziram a circulação de pessoas. O comércio continua atendendo, não há fiscalização, em padarias ainda é possível comer em mesas e balcões, ou seja, ninguém se importa ou observa as medidas restritivas.

O toque de recolher é uma piada, não há nenhuma restrição. É o "fakedown", o povo finge que fechou e os governantes fingem que acreditam. A pandemia não é levada à sério no Brasil.

Não adianta subestimar ou ser corajoso como incentiva o ministro de Saúde de fato, o vírus não se vence no peito, muito menos na bala. Quem puder, se isole, é dever de todos usar máscara e higienizar as mãos regularmente. Precisamos parar por 15 dias para frear o avanço da epidemia. Se não pararmos por bem, pararemos por mal. São milhares de mortos por dia, dezenas de milhares de novos contaminados. Nosso ministro está preocupado com a reeleição e não com o enfrentamento dessa crise. São mais de 284 mil mortos pela Covid-19. Enquanto não há imunização, somente o isolamento e na sua impossibilidade o uso de máscara e o distanciamento podem frear a onda de contágio e morte.

Cedric Darwin é mestre em Direito e advogado.