Empatia

A chegada do décimo lote de vacina CoronaVac contra a Covid-19, do governo do Estado, é um alívio momentâneo para a continuidade da campanha no Alto Tietê, nesta fase voltada aos idosos. Mesmo chegando sempre de última hora, é preciso comemorar. Enquanto isso, enfermeiros e médicos alertam que a situação nas portas dos hospitais é a mais desesperadora possível.

Mesmo com toda essa dificuldade logística da vacinação e o desespero nos hospitais, classes específicas lutam por suas causas. Na Câmara de Mogi, discute-se a inclusão de coveiros como grupo prioritário da vacinação, assim como motoristas profissionais, como de ônibus, taxistas, transporte por aplicativo e entregadores de delivery. Professores e funcionários do ensino também querem prioridade. O mesmo ocorre com farmacêuticos, fisioterapeutas e outras classes. Ontem, o Sincomércio protocolou ofício ao prefeito Caio Cunha (Pode), em Mogi, para que comerciantes e atendentes tomem rapidamente a vacina. Seria ótimo imunizar a todos, se houvesse vacina sobrando, o que, definitivamente, não é o caso. Já representantes de academias esportivas querem que o setor seja incluído como atividade essencial.

Mas, do que adianta, neste momento, vacinar trabalhadores da Educação, se alunos, pais e responsáveis continuarão na fila? De que adianta comerciantes estarem imunizados e os clientes não? Não parece sensato resguardar a vida de uma parte dos envolvidos nesses setores e deixar o restante sem a vacina. Neste momento, até mesmo o público idoso - o mais afetado pela Covid-19 -, vem enfrentando filas e ficando sem vacina. Conforme publicado pelo Mogi News e Dat, nem 20% dos idosos no Alto Tietê foram imunizados.

Ontem, na zona leste da capital paulista, houve a primeira morte por falta de UTI. Um jovem, de apenas 22 anos. Poá também registrou o primeiro caso do tipo. A notícia caiu como uma bomba na Secretaria de Saúde. Até então, as pessoas morriam nas UTIs, mas o caso de ontem, infelizmente, deverá se intensificar nos próximos dias. A situação não é fácil para ninguém. É preciso empatia.