Luz no fim do túnel

Afonso Pola
Afonso Pola - FOTO: Daniel Carvalho/Mogi News

Definitivamente o Brasil é uma nau sem rumo. Estamos à deriva sem nenhuma perspectiva de chegarmos a um porto seguro. A negação da verdade que acometeu parte da sociedade brasileira está nos remetendo a um isolacionismo extremo e isso em um mundo profundamente globalizado.

Desde o início desse governo a diplomacia brasileira já fez de tudo, menos diplomacia. Não podemos nos esquecer que parte significativa dos integrantes desse governo é terraplanista e não acredita no aquecimento global.

O caos se instalou na saúde e ele só não é maior porque boa parte dos governadores e prefeitos atuaram à revelia do governo federal. Entramos na pandemia no início de 2020. A partir daí já tivemos a exoneração de dois ministros da saúde, a nomeação de um general que entende de saúde o mesmo tanto que o presidente, esse general está de saída, mas ainda não saiu e o seu substituto ainda não entrou. Em boa parte das cidades brasileiras o sistema de saúde está colapsando.

No período de 15 a 21 de março, o país teve 25% das mortes por Covid em todo o mundo. Em uma semana, Brasil tem o dobro de mortes dos EUA e é alvo de exame pela OMS. Somos hoje o epicentro da pandemia e nos tornamos uma preocupação mundial.

Diante de tudo isso, a postura do governo não se altera. O discurso continua tendo um tom belicista e ameaçador, voltado para um segmento fanático que ainda o vê como mito e faz coro com seus rompantes de autoritarismo.

Ao que tudo indica, o processo de isolacionismo do Brasil frente ao mundo deve persistir enquanto durar esse governo. Mas o processo de isolacionismo do governo em nosso território está se intensificando. A popularidade do presidente vem sofrendo baixas significativas.

Isso começa a repercutir no universo político, empresarial e financeiro. É o que demonstra a carta defendendo urgência na vacinação e políticas públicas com base na ciência assinada por centenas de economistas, banqueiros e empresários.

Talvez seja o início da luz no fim do túnel.

Afonso Pola é sociólogo e professor