Alguém responde?

Preocupados com a pandemia da Covid-19, alguns governantes, principalmente prefeitos que não fazem do vírus parceiro da vaidade, pedem medidas ainda mais restritivas para conter o colapso na Saúde. Como disse o prefeito de Santos, Rogério Santos (PSDB), na semana passada, em coletiva com João Doria (PSDB), entre o choro de quem está impedido de trabalhar e o de quem está impedido de respirar, este segundo deve ter prioridade.

Não que medidas ainda mais restritivas sejam a solução em médio e longo prazo, mas providências precisam ser tomadas para minimizar o caos momentâneo. E isso deve ser acompanhado de um plano mais efetivo e veloz de vacinação. O foco dos políticos deve ser a pandemia. Se fosse diferente, o prefeito de Mogi, Caio Cunha (Pode), por exemplo, estaria focado em mudanças administrativas na Prefeitura, conforme prometeu antes de se eleger. Não é hora para isso, infelizmente.

O momento exige reflexão: a população que ainda se aglomera sustenta o nosso irresponsável governo federal. Parece que quanto mais a mídia expõe a calamidade, mais as pessoas se tornam indiferentes. Seríamos, nós, jornalistas, indiretamente culpados? Haveria uma maneira mais impactante para alertar a população?

Há corrupção na vacinação, nepotismo e fura-filas. Com tanta gente morrendo todos os dias, como conseguem? Na antiguidade, igrejas combatiam pestes. E agora, o que fazem? Autoridades do futebol querem que a atividade continue, assim como as do Comércio, pois seguem os protocolos de segurança sanitária. Mas, a válida justificativa auxilia no combate à pandemia, mesmo sabendo da quantidade de pessoas que esses setores envolvem? A situação dos comerciantes, é sim, das piores possíveis. Por isso, é necessário inteligência e criatividade por parte das prefeituras e entidades para minimizarem este drástico cenário, prejudicando o mínimo possível o setor da Saúde. Não só a pandemia compõe o cenário, mas também suas consequências.

E, por fim: estamos evoluindo durante o período de pandemia? Enquanto tivermos um presidente negacionista, a resposta vai continuar sendo não.