Insensibilidade

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sadfa - FOTO: divulgação

Parece que os brasileiros estão insensíveis diante da mortandade que nos assola. Foram registradas mais de três mil mortes em um único dia e 300 mil mortos pela Covid é uma dura realidade. Não vemos uma comoção nacional. A Federação Paulista de Futebol é um bom exemplo disso, preocupada com os recursos financeiros em detrimento do respeito ao luto e a catástrofe que se abate sobre o Estado de São Paulo e o Brasil foge das restrições locais e realiza jogos no Estado do Rio de Janeiro.

Muitos ainda não usam máscaras e insistem em aglomerar, algo que beira a insanidade. Falta sensibilidade às milhares de mortes diárias e aos milhares de sequelados. A indústria automotiva tem parado ou reduzido sua produção em razão do agravamento da crise sanitária e humanitária. Não é uma questão de escolha é uma questão de necessidade e principalmente de empatia. Precisamos frear a onda de contágio, mortes e sequelas da pandemia.

A Fiocruz sugere um lockdown de 14 dias em 24 Estados e no DF. Não há remédio contra a COVID. Não há vacinas suficientes. Não há capacidade hospitalar para atender toda a demanda e se forem criados novos leitos não haverá recursos humanos para operá-los. Precisamos parar e diminuir o ritmo de contágio. Não podemos continuar acelerando ladeira abaixo. Senão pararmos, continuaremos assistindo a escalada de contágio, mortes e sequelados. Não é hora de festejar, de se reunir, de viajar, de circular sem necessidade, é hora de aquietar, distanciar-se, proteger-se e se imunizar quando isso for possível. Se não fosse a Coronavac, o Brasil estaria muito pior.

A inépcia do Governo Federal custou muitas vidas e vai gerar um alto custo no longo prazo. Estamos colhendo os amargos frutos de uma política negacionista, da ingerência na saúde que somada à imprudência do povo resultou na tragédia que vivemos hoje. É hora de repensar o Brasil e que esse tempo de isolamento forçado e necessário seja de meditação sobre tudo o que estamos vivendo e de mudança de rumo, nossa inércia nos levou a morte.

Cedric Darwin é mestre em Direito e advogado.