Pouco medo, muitas mortes

Os seguidos decretos assinados desde o início da pandemia da Covid-19 para conter as pessoas dentro de suas casas, definitivamente, não vêm surtindo o efeito desejado. Seja na fase amarela, laranja, vermelha, roxa, emergencial ou crítica, como denominada pela Prefeitura de Mogi atualmente, o isolamento social nunca atingiu o mínimo esperado.

Segundo material publicado ontem pelos jornais Mogi News e Dat, segundo o Sistema de Monitoramento Inteligente de São Paulo (Simi) o índice de isolamento social na segunda-feira passada - primeiro dia da fase crítica em vigor em Mogi - era de 42%. Uma semana antes disso, a taxa registrada era a mesma. No conjunto das cinco cidades mais populosas do Alto Tietê, o isolamento de Mogi ficou empatado com Suzano e até mesmo atrás do registrado em Ferraz de Vasconcelos. Nem mesmo a restrição de circulação de pessoas durante 24 horas e uma série de regras inéditas para conter a disseminação do vírus Mogi foi capaz de manter, pelo menos, metade da população em isolamento social.

A pandemia apresenta um fenômeno curioso neste sentido. No início, muito medo e poucas mortes, agora, o inverso. Prova disso é que no ano passado, em situação menos dramática do que a atual, o índice de isolamento chegou a 58% na região. Nesta época eram apenas seis casos confirmados e nenhum óbito em Mogi.

O isolamento aplicado no Brasil é o horizontal, medida em que se isola o maior número de pessoas em suas residências. É visto como o mais indicado no cenário atual, uma vez que apresenta maior potencial para conter a epidemia, no entanto, é o que mais afeta economia, que têm suas atividades reduzidas - muito embora, diversas atividades comerciais continuam trabalhando, mesmo com os portões fechados - o que, em partes, pode explicar o baixo nível de isolamento social. Indicativo que reforça essa tese é o maior isolamento social aos fins de semana, principalmente aos domingos.

No momento, infelizmente, a estratégia não está funcionado, pois o cenário é de comércio, teoricamente, fechado, e de um alto número de pessoas circulando nas ruas.