Todos querem prioridade

É prevista por lei a estratégia de adiantar a vacinação contra a Covid-19 para agentes de segurança e profissionais da Educação, mas gera apreensão para a grande quantidade de idosos que ainda não foram imunizados. A partir do dia 5 de abril, 180 mil doses começarão a ser disponibilizadas para policiais militares e civis, bombeiros, agentes penitenciários e guardas civis municipais. Já no próximo dia 12, planeja-se iniciar a vacinação para 350 mil profissionais da Educação - das redes estadual, municipal e privada.

O governo paulista tem a prerrogativa de seguir ordem diferente do Plano Nacional de Imunização (PNI), que previa vacinar idosos antes de outros grupos, sendo assim, o Estado tem autonomia para fazer a própria priorização. É fato que esses dois públicos - professores e, principalmente, policiais, neste momento, - merecem atenção. A circulação nas ruas dos homens das forças de segurança, por exemplo, é alta, o que aumenta o alerta de contaminação. Mas, nada disso não muda o fato de que essa nova priorização poderá atrasar a imunização de idosos e adultos com comorbidades.

Não há vacinas sobrando, há, sim, atraso na distribuição. Ceder à pressão de categorias que passam a ser prioritárias, significa, consentir que faltará imunizantes a idosos, público este, prioritário desde o início.

Agora, ainda mais do que antes, será preciso acelerar a campanha de imunização, pois, se a demora para os grupos prioritários já era um fato, agora tem tudo para piorar. O mesmo ocorrerá a cada vez que o Estado ceder à pressão de outros grupos que passarão à frente na fila. A distribuição de doses já começou atrasada no Brasil, assim, o planejamento para apressar a vacinação deve ser traçado antes da estratégia de inclusão de outros setores ao grupo de urgência.

Por enquanto, além dos professores e forças das segurança, são seguidas as informações sobre a inserção de novos grupos prioritários, como os já anunciados profissionais da Assistência Social, moradores de rua, profissionais da Saúde, coveiros etc. Por outro lado, as informações em relação a um planejamento para acelerar a imunização dos idosos, seguem reticentes...