Fome não pode esperar

Mais urgente do que a vacinação contra a Covid-19 é a fome. Essa tem mais pressa e não pode esperar. A atual pandemia evidencia toda falta de planejamento e carências do país e, uma das principais delas, é a falha Política de Segurança Alimentar.

A fome vem crescendo no Brasil nesse período de um ano e as ONGs relatam, cada vez mais, queda nas doações. No momento não há nem o auxílio emergencial às famílias de baixa renda por parte do governo federal que, mesmo com o baixo valor, vinha sendo a salvação de milhares de pessoas. No mês que vem, o programa será renovado, porém, com um valor ainda mais baixo - em vez dos R$ 600, o auxílio será entre R$ 250 e R$ 300.

Nas últimas semanas, o site brasilsemfome.org.br vem sendo divulgado com mais frequência. Lá, qualquer brasileiro pode fazer doações para minimizar o momento dramático de muitas famílias que, além do temor pelo coronavirus, também vem passando fome - problema mais grave e acentuado pelo atual cenário.

Neste sentido, algumas ações no Alto Tietê já começaram a ser colocadas em prática, como a Vacinação Solidária, promovida pelo Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat). A campanha incentiva a doação de alimentos pelo público que está sendo vacinado na atual etapa, nos drive-thrus e outros postos de imunização. Em Mogi das Cruzes a arrecadação começou a ser desenvolvida nesta semana. Cada município irá divulgar os pontos e horários de vacinação que contarão com a arrecadação de alimentos, respeitando os protocolos sanitários de segurança.

Há também grupos que organizam lives pelas redes sociais com o mesmo objetivo, um exemplo é a Corrente do Bem, com a proposta de unir música, entretenimento e solidariedade. A ação ocorrerá no dia 10 de abril, no canal no Youtube do DJ Rodrigo Dantas.

Enquanto torcemos e cobramos o poder público para que façam sua parte nesta pandemia, façamos também a nossa. Tão ruim ou até pior do que a doença são as consequências que ela carrega.