Cardápio anti-combativo

Durante a semana, os prefeitos do Alto Tietê decidiram não seguir a capital paulista e decretar um mega feriado para tentar manter as pessoas dentro de casa, já que, pela lógica, sem ir ao trabalho, as pessoas ficariam mais em casa. O prefeito paulistano, Bruno Cova (PSDB), lançou mão deste artifício com base nos dados do mega feriado ocorrido na metade do ano passado, quando a Grande São Paulo não sofria tanto com o vírus quanto agora. Havia leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e Enfermaria e as pessoas estavam mais receosas. O resultado disso era um isolamento social acima dos 50% e 60%, número que também pôde ser visto aqui na região, no entanto, esses dados agora mal chegam a 45%.

Passado mais de um ano desde o início dessa doença, mais de 300 mil brasileiros sucumbiram a ela, sendo 2,7 mil somente no Alto Tietê. Sobre o feriadão, a estratégia da Prefeitura de São Paulo pode ser um tiro na água, uma vez que, mesmo sendo a maior cidade do país, esse tipo de decisão não deve ser tomada sozinha, já que os paulistanos de folga ocupam outros municípios, como praia, interior, e demais cidades turísticas. Ao que tudo parece, essa decisão unilateral poderá apenas transferir o problema.

Com o susto inicial no ano passado, com a chegada do já "íntimo" coronavírus, as pessoas ficaram mais em casa e era possível ver ruas vazias em horários comerciais. Agora, mesmo com os seguidos decretos mais restritivos, parte da população continua caminhando pela rua como se nada estivesse acontecendo, se aglomera e não faz uso da máscara, ou seja, um mega feriado, agora, poderia não ser a melhor saída.

Foi pesando esses prós e contras sobre o decreto do feriadão que os prefeitos do Alto Tietê decidiram não seguir o decreto estadual - algo raro de acontecer quando se trata do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat) que, geralmente, segue as recomendações do governo Doria.

Com uma fração de pessoas trabalhando em casa, é melhor manter esse contingente ocupado do que oferecer um cardápio cheio de opções anti-combativas.