Solidariedade e negacionismo

Afonso Pola
Afonso Pola - FOTO: Daniel Carvalho/Mogi News

Solidariedade é a qualidade, característica, condição ou estado de solidário. É a responsabilidade recíproca entre membros de uma comunidade, de uma classe ou de uma instituição. Vivemos em sociedade e, mesmo cada um tendo sua individualidade, ainda assim formamos um grupo e nosso interesse individual não pode se sobrepor aos interesses do grupo.

Quando nós seres humanos aceitamos viver sob o chamado "Contrato Social", na verdade trocamos a nossa liberdade natural (a de agir de acordo com nossos instintos) e passamos a viver a liberdade civil, caracterizada pelo respeito aos interesses coletivos. Só assim o agrupamento social faz sentido.

Pois bem. Não faz parte do enfrentamento da pandemia colocar nossos interesses pessoais acima dos interesses coletivos. Solidariedade nesse caso é, além da organização de campanhas para arrecadar aquilo que é extremamente necessário para as pessoas mais carentes, é também seguir os procedimentos indicados pelas autoridades sanitárias do Brasil e do mundo.

Na contramão disso estão aqueles que duvidam da gravidade da pandemia e daquilo que a ciência diz ser o melhor caminho para enfrentá-la. Aquele que sai pelas ruas sem máscaras e ainda se irrita quando é chamado a atenção, que se aglomera de forma irresponsável, que posta ou compartilha informações mentirosas ou duvidosas nas redes sociais são, como diria Rousseau, indivíduos que não ultrapassaram o estado natural e não conseguiram desenvolver a noção de responsabilidade social e a sua decorrente empatia.

Não são boas e nem solidárias, mesmo que se disponham a colaborar com as campanhas que visam arrecadar produtos essenciais para as pessoas mais carentes. Não se tornam boas quando vão aos templos orar. São pessoas movidas por um egoísmo e individualismo extremos, que não permite a percepção de que elas não podem prescindir das relações sociais intragrupos.

Afonso Pola é sociólogo e professor.