Lockdown

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sadfa - FOTO: divulgação

Em 30 de março, o Brasil bateu mais um recorde de vítimas fatais da Covid-19, 3.780 mortes em um único dia. Mas, além dessas, há muitas mortes sem essa confirmação e pela mesma causa.

O Prefeito de Mogi das Cruzes, Caio Cunha, sugeriu aos demais prefeitos do Conselho de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat) que adotassem o mesmo rigor de Mogi para frear o contágio. Nenhum deles concordou. Na verdade só temos duas armas, uma é a vacinação que se arrasta a outra seria o lockdown que nenhum prefeito tem coragem de decretar. Resultado, mais mortes a cada dia.

As pessoas não param de circular e só o fechamento de quase todas as atividades e a paralização real pelo prazo de quinze dias traria algum alívio à catástrofe sanitária que assistimos. Mas ninguém quer parar, quinze dias parece ser muito tempo e assim continuaremos a assistir a milhares de mortes diariamente. Viveremos mais um ano de luto, de perdas e de grandes prejuízos pessoais, sociais e econômicos.

Nosso sistema de saúde não comporta a demanda. É preciso entender que, além das perdas pessoais, das sequelas de cada vítima sobrevivente haverá danos permanentes. Quem sai às ruas nota que não há isolamento e que a grande maioria das pessoas não se priva de nada, continuam circulando normalmente. A redução da circulação das pessoas só se dá com um lockdown, um remédio amargo, mas menos dolorido do que sepultar mais de três mil pessoas por dia.

Os danos econômicos já estão feitos e só tendem a piorar. É melhor parar de verdade e reduzir a curva de contágio, hospitalização e mortes enquanto se aumenta a imunização e depois retomar com segurança do que continuar fingindo isolamento com o número de infectados e mortos subindo dia após dia.

Parabéns Caio Cunha pela coragem de fazer o que tem que ser feito, com o alto custo político que pagará, melhor fazer o que tem que ser feito do que jogar para torcida e colher cadáveres. No fundo do poço ainda cavamos milhares de covas.

Cedric Darwin é mestre em Direito e advogado.