O negacionismo

Nem sempre o comportamento reflete o sentimento. O modo de atuar no palco da vida é bem mais diferente daquele que se atua nos bastidores da realidade. O caráter é o que somos, enquanto que a reputação é o conceito que gozamos dentro de um grupo humano, dependendo do nosso comportamento.

Carl Rogers, psicólogo americano, salientou a primazia do sentimento como condição da mudança do comportamento; no entanto, todo ser humano tem em si o intelecto para discernir o certo do errado, e a vontade para escolher qual deles praticar, conforme a atitude ele irá aguçar ou domar o decaído instinto na diretriz da boa ou da má conduta. Conclusão: na verdade, exercer o comportamento do bem é prioridade para mais aperfeiçoar o sentimento, ou aquele do mal para deformar ainda mais.

Agir bem, em sociedade, é promover o bem estar de todos; agir mal é negar as evidências que são os recursos culturais, religiosos, tecnológicos e científicos alicerçados na fé e na razão, que mantêm o equilíbrio social, isso ele faz com tanta frequência que se torna um negacionista possuído por um delírio de se achar especial, aderindo a outros "especiais" do seu grupo.

Conforme diz o sociólogo Renan Leonel, da Suiça, o bolsonarismo instrumentaliza isso o tempo todo. É um fenômeno de confrontação da morte, o conflito de encarar a finitude. Acham ter o corpo invulnerável à peste e não obedecem as restrições impostas, sendo irresponsáveis no risco assumido sem pensar no risco do outro. Na sequência da peste tivemos o surto, a epidemia, a pandemia e por fim a calamidade, não foi um impacto de uma só vez, por isso cresceu a insensibilidade desse grupo diante das 300 mil mortes numa acomodação cognitiva.

Na prática, as pessoas focadas no pragmatismo cotidiano, de precisar trabalhar para comer, a escolha fica difícil: sair para o trabalho e se contaminar, ou ficar em casa e ter a geladeira vazia. Se eu correr o bicho pega, se eu parar o bicho come.

Eis a questão: morrer pelo vírus ou de fome?