Vacinação lenta

Sem nenhum tipo de surpresa, o ranking das cidades sobre o ritmo da 1ª dose da vacinação contra a Covid-19 no Estado de São Paulo mostra o quanto o Alto Tietê está atrasado no processo de imunização. Dos dez municípios da região, o melhor colocado na listagem - atualizada ontem às 18 horas - é Guararema, que ocupa a 378ª posição, ou 10,8% da população vacinada, entre as 645 cidades paulistas. Vexame maior ficou com Itaquaquecetuba, no penúltimo lugar, com apenas 4,6% de cobertura dos moradores.

Na liderança do ranking está a pequena Serrana, na região Metropolitana de Ribeirão Preto, que tem 61,6% da população de 45.644 habitantes vacinada. O alto índice se justifica pois a cidade foi escolhida para o Projeto S, um estudo idealizado pelo Instituto Butantan com o objetivo de analisar o impacto e a eficácia da vacinação na redução de casos de Covid-19 e no controle da pandemia. Também nas primeiras colocações estão os municípios de São Caetano do Sul (12º lugar, 20,2% de cobertura) e Santos (20º, 19,2%).

Mogi das Cruzes, com a maior população do Alto Tietê (450.785 habitantes), está em 474º lugar, com 9,5% dos moradores imunizados. Já Suzano, um pouco mais atrás, na posição 545, tem 8,3% dos 300.559 habitantes vacinados com a 1ª dose. Talvez não sirva de alento, mas a região está próxima da média nacional de 10% dos brasileiros vacinados. A vergonha se dá na comparação com países da Europa e da Ásia, que já ultrapassaram a imunização de metade dos habitantes.

Não há justificativa para tal atraso. Se atingimos mais de 3 mil mortos diários por Covid-19 nos últimos dias, o que nos coloca com o maior número mundial de óbitos por dia na atualidade, seria preciso uma reflexão bem mais profunda sobre o assunto. Caso não ocorra uma reação imediata do governo federal para interromper a escalada de mortes, incluindo a vacinação em massa e um auxílio internacional liderado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), os brasileiros serão excluídos por um bom tempo do livre trânsito em outros países. Além da vergonha por não conseguir controlar a doença, o país ficará cada vez mais marginalizado.

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