Viva! O charme nos populistas?

Raul Rodrigues
Raul Rodrigues - FOTO: Daniel Carvalho

As pessoas têm por hábito resistir a tudo, menos à promessa de uma vida melhor. Se, sem nenhum sacrifício: a glória! Populistas de plantão prosperam abusando da incapacidade da maioria, mesmo que inteligente e bem preparada, de distinguir entre uma plêiade de candidatos, alguém capaz de expressar bem, raivas e frustrações das pessoas, e que seja capaz de tentar encontrar solução para elas. Vejam o Caso Bolsonaro.

Por demais carismáticos, costumam estimular o culto a suas figuras messiânicas. Como Salvadores da Pátria, sentem-se resgatadores do cidadão desprotegido, pobre e incapaz de bem encaminhar seus próprios destinos, a salvo das "forças opressoras" de lideranças políticas anteriores. Um bom teste para reconhecer um populista é saber se surgiu algum movimento batizado em sua homenagem. Do Getulismo ao Janismo, o teste continuou funcionando com o Lulismo e, e não é que já temos, pasmem, o Bolsonarismo!

Como sempre acontece, populistas se ralam para ideologias políticas. Valem-se delas para manipular em benefício próprio. O que os diferencia dos outros políticos são tanto a capacidade de diagnosticar com precisão ímpar a dor de muitos, quanto a de prescrever tratamentos indolores, gratuitos e às vezes até agradáveis.

O coquetel salvador do país é sempre o mesmo: começar sobretaxando produtos estrangeiros e/ou impedindo a entrada de imigrantes para "proteger interesses nacionais e empregos de seus cidadãos".

A seguir, aumentar os gastos do governo com políticas sociais, funcionalismo e/ou gastos em infraestrutura. A população sentirá inicialmente que sua vida melhorou, apoiando o líder de plantão. Para garantir ainda mais apoio político e crescimento econômico, distribuir isenções fiscais e cortes de impostos, como catequese das "forças produtivas".

Para terminar, demonizar as minorias que negam seu apoio. Estes são os culpados pela condição em que a população se encontra. Jamais vão admitir que a situação melhore para os demais. São os que impedem o "progresso".