Doença ou pecado

Mauro Jordão
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Orval Hobart Mowrer, professor de Psicologia na Universidade de Illinois, EUA, conhecido por suas pesquisas em terapia comportamental, propôs um modelo moral de responsabilidade, afirmando que os problemas de muitos "pacientes" são morais, não médicos. Diz que eles padecem de culpa real, e não de sentimentos de culpa (falsa culpa).

Na prática abreviou o tempo de tratamento por conseguir a cura quando o paciente reconhecia a própria culpa e assumia a responsabilidade de mudar de conduta, diferente do que faz a psicanálise que mantém o cliente por longo tempo de tratamento nas infindáveis sessões no divã, catalogando a culpa como "sentimento de culpa" e transferindo a causa da doença para alguém ou algo que pensa ter ferido seu ego no passado.

Jay E. Adams, pastor reformado americano, formação na Universidade John Hopkins, escreveu mais de 100 livros de aconselhamento cristão, entre eles Conselheiro Capaz. No entanto, antes aprendeu, na companhia de Mowrer, na visita às enfermarias de dois hospitais de saúde mental, em terapias de grupo, reuniões e palestras seu método diretivo de tratamento.

Adams observou que os pacientes obtinham de uma forma rápida a alta hospitalar ou ambulatorial quando assumiam a culpa e a atitude responsável de mudar o comportamento censurável. Mowrer no seu livro A Crise em Psiquiatria e Religião procura refutar as pressuposições freudianas fundamentais. Audaciosamente, por não ser cristão e muito menos teísta, questiona também os cristãos conservadores: "A religião evangélica teria vendido seus direitos de primogenitura por um mero prato de sopa psicológica?"

Ele se opõe ao conceito médico de doença mental e afirma que ela somente persiste devido a fuga do paciente da sua responsabilidade pessoal de confessar o erro e de mudar a conduta. Adams, firmado na verdade científica, concluiu teologicamente não haver doença mental, mas angustiante transtorno mental espiritual que desaparece ao ser confessado o pecado e obter de Deus o perdão.