Para além da pandemia

Afonso Pola
Afonso Pola - FOTO: Daniel Carvalho/Mogi News

Já faz tempo que a questão ambiental se tornou pauta permanente e prioritária para uma parcela da sociedade. O modelo de desenvolvimento econômico que permeou o século XX causou rápida e intensa degradação do meio ambiente, comprometendo muito a qualidade de vida.

Apesar dos inúmeros alertas, os interesses econômicos prevaleceram diante dos interesses da humanidade. Assim, chegamos ao início do século XXI com grandes incertezas e desafios para o nosso futuro. E a situação é de alto risco.

De acordo com especialistas as previsões de que danos residuais ligados a eventos naturais extremos ocorram em diferentes partes do planeta na segunda metade deste século são "altamente confiáveis". É bem provável que isso ocorra mesmo que haja corte significativo de emissões de gases de efeito estufa nos próximos anos.

Em áreas tropicais da África, América do Sul e da Ásia, a população deverá conviver com mais inundações, em função de maior ocorrência de tempestades. Nesse caso, o Sudeste do Brasil que registra enchentes e deslizamentos, deve sofrer com a intensificação das chuvas.

A condição dos recursos hídricos também é motivo de muita preocupação. Existe uma elevada perspectiva da redução da oferta de água potável em territórios subtropicais secos intensificando conflitos pelo uso de bacias hidrográficas. Ou seja, as situações extremas serão cada vez mais constantes: ocorrência de muita chuva acumulada em poucos dias, combinada com um número maior de dias secos e de muito calor. Nas regiões costeiras as populações mais pobres também devem ser muito afetadas. O aumento do nível do mar vai comprometer grande parte dos meios de subsistências.

Como podemos ver, temos diante de nós um quadro muito preocupante. Precisamos nos envolver cada vez mais com as bandeiras em defesa do meio ambiente. Devemos isso às futuras gerações.

Em tempos de uma pandemia que tem dizimado tantas vidas e que ainda está fora de controle principalmente em nosso país, não devemos nos esquecer que outras tragédias também nos ameaçam.