Tragédia e dinâmica populacional

Afonso Pola
Afonso Pola - FOTO: Daniel Carvalho/Mogi News

Entende-se por dinâmica populacional o estudo da variação na quantidade dos indivíduos de determinada população, considerando certos aspectos da realidade social, como por exemplo taxas de natalidade, mortalidade, expectativa de vida, índices de analfabetismo, dentre outras variáveis. Tal população pode ainda ser classificada segundo sua religião, local de moradia (urbana e rural), atividade econômica (ativa ou inativa), e os seus respectivos comportamentos.

Ao analisarmos a composição populacional pelo critério do sexo é possível identificar um dado surpreendente. Nasce mais meninos do que meninas no Brasil e, mesmo assim, a população feminina é maior do que a masculina (homens 48,2% e mulheres 51,8%).

Na faixa etária inferior a um ano, a população masculina soma 1.378.532 enquanto a população feminina é de 1.334.712. A diferença entre homens e mulheres vai aumentando até os 14 anos. Depois, essa diferença começa a cair e, na faixa etária de 25 a 29 anos o número de mulheres já é superior ao número de homens.

Infelizmente é uma tragédia social que explica essa mudança. De acordo com estudos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na faixa etária que vai de 20 até 24 anos, a chance de um homem morrer por causas violentas é 11 vezes maior que a de uma mulher.

Vivemos outra tragédia que impacta na dinâmica populacional do Brasil. Ela está sendo provocada pela pandemia e impulsionada pela inércia do governo brasileiro no seu combate. Chegando perto das 400 mil mortes, já é possível afirmar que o Brasil deve sofrer um impacto negativo na expectativa de vida.

Ainda de acordo com dados do (IBGE), esta é a primeira queda do indicador desde 1940, quando o tempo médio de vida do brasileiro era 45,5 anos. Em 2019, a média alcançou 76,6 anos de idade, um aumento de 31,1 anos.

São nossas tragédias, muitas vezes ignoradas por nossos governantes, desenhando o Brasil.