Com humor e veneno

Raul Rodrigues
Raul Rodrigues - FOTO: Daniel Carvalho

Em tempos de quarentena, o noticiário pode ser sufocante: o número de mortes atribuídas a Covid 19 cresce, há atritos em Brasília, faltam vagas nas UTIs e, pelo jeito, nem tigres estão livres do vírus que se renova dia-a-dia. Mas o humor é sempre um bom antídoto contra as notícias ruins.

As pessoas desejam aliviar porque é uma situação muito pesada: uma guerra contra uma coisa invisível. A ponto de se chegar ao limite da vulnerabilidade, e a saída imediata é rir. Com essa incerteza causando angústia, o humor é uma saída boa para mitigar a angústia.

Em domingo passado, em que se comemorou o Dia do Humorista, conversei com alguns amigos para saber como eles têm enfrentado a pandemia - e como fica o humor com isso tudo. Ficou claro que todo riso expontâneo é um bom remédio. O ditado tem seu fundo de verdade. Todos são unânimes em afirmar, para os envolvidos pela problemática virótica: o humor ajuda a descontrair em um momento tão complicado.

Aí humor é quase uma anestesia. Terapêutico até. Recebo retorno incrível dos conhecidos que assistem aos vídeos de humorismo ou nas lives no Instagram. Gente que diz que só consegue relaxar e dormir depois de ver raros programas de humor e rir um pouquinho.

Vale rir de tudo? Sim, vale fazer piada com tudo nesse momento. "Tem de rir da situação", diz o amigo Ari. "Do presidente principalmente, que mais tem produzido dúvida e ódio. A comédia tem a função de alívio e desabafo nesse momento, então tratar pelo lado cômico é um antivirótico recomendado enquanto a cura não chega."

E não é para menos. Semana passada ele, ao ser questionado, saiu-se com esta: "Se você, Kajuru, não participa da CPI vem a canalhada lá do Randolfe para participar e começar a encher o saco. Daí vou ter de sair na porrada com um bosta desses!" Levá-lo a sério? Puro humor, e grotesco.

O humor não pode ser alienante por completo, mas permite desligar um pouco desses "problemas". Ao se ficar preocupado o tempo inteiro, a gente fica com a cabeça sem saber para onde vai.