Inevitável

Pouco mais de um ano após a primeira morte pela Covid-19 no Alto Tietê, em Suzano, a região chega à marca de mais de 3.350 mortos e 78.615 infectados. Na segunda-feira, o inevitável ocorreu em Mogi, e a cidade passou de mil óbitos pela doença. Devido à instabilidade no quadro com alto número de internados e lotação em UTIs e enfermarias, as medidas de flexibilização das atividades comerciais merecem muita atenção.

O anúncio da criação da Fase de Transição no Plano São Paulo trouxe certo alívio para as entidades comerciais, principalmente pela proximidade dos Dias das Mães, um dos feriados mais aguardados pelo varejo. Com a nova reclassificação, as lojas de rua e shopping reabriram no dia 18, com horário restrito das 11 às 19 horas. A medida segue até o dia 23 de abril. Já a partir do dia 24, será autorizada a retomada das atividades de restaurantes, salões de beleza e academias.

A situação para muitos trabalhadores já é insustentável, e não é de hoje. Por isso, uma cidade como Mogi, que há poucas semanas tentava implantar o lockdown nos municípios do Alto Tietê, começa a aliviar o peso para os lojistas. O ponto negativo é que a situação dos leitos não acompanha a medida de maneira inversamente proporcional. Por isso, fica a cargo da fiscalização tentar fazer um trabalho próximo e comprometido para impedir falhas e desrespeitos nas ruas. Não é fácil.

A flexibilização gradual do comércio também vai de encontro com uma medida implementada pela Prefeitura de Mogi para ajudar os pequenos e micro empreendedores. Desde ontem, o cadastramento para os interessados em receber o Auxílio Empresarial Mogiano está aberto. São medidas que não solucionarão os prejuízos, mas, ao menos, é um primeiro passo em meio ao caos. E os comerciantes têm papel importante nessa transição, como auxiliar na fiscalização, seguir as regras do Plano São Paulo e "educar" a clientela, afinal, um aumento no surto da Covid-19 vai contra o interesse dos vendedores.

Neste momento insustentável e de mudanças inevitáveis, não custa reforçar a importância da união entre trabalhadores, clientes e prefeituras.