400 mil

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sadfa - FOTO: divulgação

Instalada a CPI no Senado Federal, o Brasil saberá o que foi e principalmente o que não foi feito no combate à Covid-19. O foco é a atuação ou omissão do governo federal no enfrentamento da pandemia. O relator Renan Calheiros é um político habilidoso cuja inimizade causa uma boa dor de cabeça. Bolsonaro viverá o seu primeiro grande enfrentamento político. Renan não é amador, pelo contrário, é profissional e fez escola.

Bolsonaro encontrou um adversário acima de sua altura. Não será como enfrentar ministros do STF acostumados a um ambiente polido de palácios de Justiça. Ministros do STF não se dão ao enfrentamento público e rasteiro como está habituado Jair. Renan é político, sabe fazer política e saberá conduzir a CPI de modo a encurralar de verdade o governo federal e de lá extrair o que quiser ou puder. É um jogo político, não se espere a isenção de ninguém. O novo jogador sabe jogar, tanto é que após escândalos e desgastes emergiu das profundezas para mostrar a que veio. E não está só, há gente como Randolfe Rodrigues, outro senador articulado combativo e decidido a enfrentar Bolsonaro e seu clã.

O governo federal não terá vida fácil, além de ceder ao Centrão, caso queira sobreviver, deverá ceder ainda mais ao Senado. Mesmo assim não será fácil passar incólume pela CPI. Todo mundo sabe que algo não deu certo, agora poderemos saber porque e por quem. Isso refletirá na eleição presidencial de 2022. Certamente as tão esperadas reformas não virão, a antecipação da disputa pelo Planalto, iniciada desde o primeiro dia do mandato de Jair por ele mesmo, já está a todo vapor. Tudo o que for feito e falado agora é olhando a eleição de 2022.

Além da pandemia, da falta de vacinas, da recessão econômica e do aparente ou real desgoverno, assistiremos à grande e contínua disputa pelo poder. O Brasil que se aguente, a instabilidade e a falta de planejamento continua, a falta de vacinas e estagnação econômica também. Com os deputados já aparecendo em todos os lugares, preparando o terreno para o ano que vem, aguardemos o desenrolar das investigações para apontar porque chegamos, até aqui, a 400 mil mortos.