Primeiro, a guerra

Não é possível desqualificar a crise pela qual o país passa há mais de um ano, afinal, são quase 400 mil mortos por conta da Covid-19. Aliado a isso, o Brasil não tem disponibilidade de vacinas a curto prazo. Sendo assim, parece claro que o foco atual é solucionar problemas emergenciais e salvar vidas. Isso não significa que possíveis e pertinentes investigações deverão ser esquecidas, mas tudo em seu momento certo.

Não são averiguações sobre irregularidades na pandemia feitas neste momento que irão aliviar o sofrimento das pessoas. Estamos em uma guerra e, como tal, é preciso planejamento e foco. Mogi das Cruzes já passa por momento administrativo delicado com a chegada do novo secretário municipal de Saúde, Zeno Morrone Júnior, em meio à pandemia, após exoneração do ex-secretário Henrique Naufel, por ter furado fila na vacinação e ter permitido que outros profissionais fossem imunizados antes da hora. Qualquer investigação feita nesse momento é tirar do plano principal o combate ao vírus.

No ano que vem teremos eleições presidenciais, além do pleito para governadores, senadores, deputados federais e estaduais, por isso, a população precisa ficar alerta a possíveis sinais de palanques políticos que ocorrem agora, visando a eleição. São dessas ações polarizadas que muitos candidatos buscam fortalecimento para o ano que vem.

Nesta semana, a Câmara de Mogi das Cruzes rejeitou os dois pedidos de cassação contra o prefeito Caio Cunha (Pode), protocolados no Poder Legislativo por militantes políticos da cidade. Os pedidos que foram encaminhados à Procuradoria Jurídica da Casa de Leis acusavam o atual chefe do Poder Executivo de cometer crime de improbidade administrativa. Se, por um lado, a preocupação dos vereadores é zelar pela instituição do Legislativo sob os olhares da opinião pública, por outro, é preciso que cada ação seja feita no momento certo. Não é em meio à guerra que se julga e se encontram culpados.

Tudo deverá ser apurado, profissionais da Secretaria de Saúde terão de ser ouvidos sobre a suposta vacinação irregular, a população merece resposta, mas tudo no momento certo.