Efeito Covid-19

Como era de se esperar, a paralisação de serviços, comércios e, de forma mais leve, indústrias, tem afetado a arrecadação de impostos nas três esferas de governo. Com o Alto Tietê não é diferente. Os contribuintes das cinco cidades mais populosas da região pagaram 20% menos as taxas e tributos nestes primeiros quatro meses do que no mesmo período do ano passado.

De acordo com um levantamento feito pela reportagem e publicado anteontem, de janeiro até quase o final de abril do ano passado, foram pagos em impostos R$ 477 milhões, ao passo que neste ano foram R$ 377 milhões.

Em termos imediatos, talvez essa queda não seja sentida pelas prefeituras da região, uma vez que boa parte dos impostos são repasses do Estado e da União, mas uma hora essa conta pode chegar. É preciso deixar claro que essa queda na arrecadação tem como fundamento o coronavírus (Covid-19), e uma menor circulação de pessoas, ainda que sem efeito suficiente para baixar os índices da propagação da doença, são fortes o suficiente para derrubar a arrecadação.

Ao final do ano passado, o governo federal havia informado sobre a redução na arrecadação de impostos, passando de R$ 1,63 trilhão para R$ 1,52 trilhão, uma queda de 6%. O valor é uma montanha de dinheiro, mas quando colocado para gerir um país de tamanho continental, como é o Brasil, em época de pandemia, com compra de vacina, testes, equipamentos, essa montanha pode não passar de um morrinho.

A falta de estratégia e entendimento sobre a pandemia pode ter levado a região a chegar nessa queda de pagamento de impostos. Se restrições mais duras, compras de vacinas e testes tivessem ocorrido o quanto antes, boa parte dessa agonia poderia já ter passado, mas como o "se" não ganha jogo, nos resta torcer para que, lá na frente, a queda de receitas não afete de forma mais grave os cofres públicos do Alto Tietê.

Se houver uma queda brutal na arrecadação de taxas e tributos, e isso envolver o repasse por parte das outras esferas de governo, projetos municipais e até mesmo o financiamento da saúde podem ficar comprometidos.