Esse tal de comunismo

Afonso Pola
Afonso Pola - FOTO: Daniel Carvalho/Mogi News

No dicionário, a palavra comunismo aparece como um substantivo masculino que significa "uma organização socioeconômica baseada na propriedade coletiva dos meios de produção". Pois bem. Estamos falando de uma sociedade onde não existe propriedade privada e, portanto, tudo é coletivo.

Já existiu sociedade assim? Já. Só que isso foi nos primórdios da humanidade. No chamado Modo de Produção Primitivo, quando não existia a figura do Estado. O Estado é uma instituição essencialmente reguladora de conflitos. Quando não existia a figura da propriedade privada não existia conflitos, portanto, o Estado não era instituição necessária.

O estabelecimento da propriedade privada é propulsor de conflitos. E o Estado surge como mediador de conflitos. Só que o Estado é dirigido por pessoas que fazem parte da sociedade. E, não casualmente, o dirigem de acordo com os interesses daqueles que possuem propriedades.

Tem um monte de gente que fala sobre o comunismo sem ter a mais pálida ideia do que seja esse tal de comunismo. A China não é comunista. Ela só é designada assim por que o partido que está no poder é o Partido Comunista. Na China tem Estado e ele é forte. A China é hoje um país socialista que pratica uma economia de mercado, essência do capitalismo.

Venezuela e Cuba também não são países comunistas. Do ponto de vista teórico o comunismo seria uma fase posterior ao socialismo. Portanto, o comunismo não vigora em nenhuma parte do mundo, a não ser no pensamento de pessoas que não tiveram boas aulas de história.

A China tem aplicado bem as teses liberais. Ela caminha rápido para desbancar os EUA da condição de principal economia do mundo. A China não é esse monstro que pintam. Dizem que ela está comprando o Brasil. Essa é uma tolice que só convence os desinformados. No agronegócio brasileiro, por exemplo, entre as seis maiores empresas cinco são americanas e uma é holandesa. A China hoje investe no mercado financeiro, no setor produtivo e de serviços, do mesmo jeito que os EUA e as potências europeias fazem desde sempre.