Covidário

Brasil e Índia se transformaram em ambientes perfeitos para a proliferação da Covid-19 e novas variantes da doença. O alerta, desta vez, fica principalmente para a população, uma das principais responsáveis por esse desagradável e letal quadro.

A Medicina aprendeu muito durante a pandemia e hoje conhece melhor o comportamento e as consequências do coronavírus. E, depois de mais um ano de aprendizado forçado, os médicos têm a convicção de que as barreiras não imunológicas são fundamentais para o controle da Covid-19. Essas barreiras são conhecidas por todos, mas parte da população as ignora: uso de máscara e distanciamento físico. Não se trata de distanciamento social, pois também já aprendemos a conviver com as pessoas respeitando a distância física. E é assim que deve ser, uma vez que não respeitando essas medidas, dependemos da imunidade de toda a população, algo distante de ocorrer. O tempo será muito longo para se ter uma resposta imunológica consistente o suficiente para abrir mão do uso de máscara e distanciamento físico. Enquanto isso, milhares de pessoas morrem por dia no país. Ou seja, se não respeitarmos as regras básicas, continuaremos a ser, por tempo indeterminado, um antro de variantes do coronavírus.

As variantes que surgiram no Brasil são mais infecciosas e contagiosas do que a inicial, mas não mais letais do que as que ainda poderão surgir. Grande parte das infecções é de indivíduos assintomáticos, com longo período de contaminação a outras pessoas. Isso não significa, necessariamente, parar o país. Seguindo o raciocínio, fechar parques e praias não faz sentido, desde que haja colaboração da população no sentido de evitar aglomeração. Apenas 0,1% dos contágios são registrados em ambientes abertos. O mais preocupante é o não uso de máscara e distanciamento, o que inclui eventos, festas e restaurantes, quando as pessoas acreditam que ficar sem o equipamento de proteção por pouco tempo não trará consequências.

O Brasil se transformou em um covidário. A variante P1 já está contaminando e, certamente, outras mais agressivas surgirão. Já sabemos a tendência da doença. Qual será a nossa?