Obesidade infantojuvenil

Não faz muito tempo que um estudo do Imperial College London e da Organização Mundial da Saúde (OMS)trouxe dados preocupantes: o número de crianças e adolescentes obesos aumentou dez vezes nos últimos 40 anos em todo o mundo. No Brasil, estima-se que cerca de 35% das crianças estão com sobrepeso e 15% são obesas.

De acordo com a OMS, aproximadamente 70% das doenças estão relacionadas direta ou indiretamente ao estilo de vida. Esses novos hábitos e costumes repercutem inclusive na vida das crianças.

Essa realidade exige um olhar especial, pois existe um risco enorme de meninos e meninas desenvolverem, ainda na infância, doenças sérias, a exemplo de diabetes, além da alta probabilidade (algo em torno de 80%) deles virarem adultos obesos.

A combinação de uma má alimentação com o sedentarismo, frequente nos dias de hoje, tem uma consequência muita séria. Estamos falando de crianças que desenvolveram diabetes tipo 2, problemas no pulmão e coração, pressão e colesterol altos. Tanto que, de acordo ainda com a OMS, a atual geração de crianças deverá viver menos que seus pais.

O intenso desenvolvimento tecnológico produzido nas últimas décadas permitiu que criássemos um mundo para o qual não estamos adaptados. Ou seja, nossa cultura promove comportamentos sedentários e baixos níveis de atividade física, enquanto há uma oferta importante de comida, particularmente do tipo mais calórico.

A adoção de hábitos e costumes que contrariam nossa natureza, aliado ao intenso estresse imposto por uma sociedade extremamente competitiva acaba, muitas vezes, tornando precoce a incidência de determinados males como o derrame e o infarto.

Nós somos geneticamente programados para andar cerca de 20 quilômetros por dia e não fazemos isso. Diferentemente de outros tempos quando o movimento era parte integrante das brincadeiras, nossas crianças passam a maior parte do tempo sentadas e manuseando aparelhos eletrônicos. Em nome da comodidade e praticidade estamos abreviando vidas.