À espera de uma cirurgia

Enquanto a pandemia corre, pacientes com diagnósticos de cirurgia consideradas não urgentes continuam em espera na rede pública de Saúde. Em Mogi das Cruzes, por exemplo, o calendário voltou a ser aberto no final do ano passado, mas com o avanço da Covid-19, a Secretaria Municipal de Saúde se viu obrigada a recuar e suspender novamente os procedimentos.

Se por um lado o coronavírus traz consequências psicológicas, a falta de informações precisas às pessoas que precisam realizar outro tipo de cirurgia também gera insegurança e aflição, além de dor. Pessoas que sofrem acidentes não fatais, como quebrar o pé, por exemplo, ficam sem respostas de quando poderão ter a situação solucionada. Em muitos desses casos, a falta de mobilidade dos pacientes os torna "interditados" e privados de suas necessidades básicas.

A suspensão das cirurgias eletivas foi feita para que haja vagas disponíveis para internar pessoas com suspeita ou confirmação de Covid-19, além de priorizar o uso de insumos e medicamentos para os pacientes graves com coronavírus. Tudo isso é válido e faz parte de uma atitude emergencial. O problema é que, entre idas e vindas, as cirurgias não urgentes estão suspensas há meses e, a essa altura, alguns casos precisam ser solucionados com certa rapidez. Em alguns deles, o quadro do paciente se agrava com o tempo, tornando a futura intervenção médica mais delicada.

Cada levantamento que mostra queda de taxa de ocupação de leitos deve ser comemorada. O grande problema porém é que a ocupação dos leitos para pacientes com Covid-19 no Alto Tietê ainda supera a média registrada na Grande São Paulo. Entre os hospitais da região em pior situação estão o Santa Marcelina de Itaquá; o RegionalDoutor Osiris Florindo Coelho, em Ferraz; e Doutor Arnaldo Pezzuti, em Mogi. Entre as quatro unidades com UTI do Alto Tietê, apenas o Hospital Luzia de Pinho Melo, em Mogi, encontra-se em situação controlada.

O poder público precisa estar atento e programar, assim que possível, o retorno desses procedimentos, afinal de contas, o problema afeta muitas pessoas e a fila só vai aumentar com o passar do tempo. A espera é longa e deverá se prolongar.