No limite da razão

A temperatura entre o Estado e o Alto Tietê promete subir nos próximos dias com o anúncio de ontem da Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp) informando que, não só um pedágio será instalado, como serão duas praças de cobrança. Isso indica que, além de ser realmente implementado, as tarifas estarão em locais diferentes do sistema de rodovias que leva ao litoral paulista.

As praças estarão no km 95 da Mogi-Bertioga (SP-98) e, na Mogi-Dutra (SP-88), em local que ainda será definido, mas que deve ocorrer perto do km 40. O anúncio da instalação das praças foi um balde de água fria para políticos e moradores da região, principalmente os que vivem em Mogi das Cruzes, fazem uso das vias para chegar ao trabalho e que, muitas vezes, é na capital paulista.

O governo do Estado, por meio da Artesp, tratou de minimizar a situação e informou que, em contrapartida, serão realizados investimentos, como a construção de passarelas, rodovias mais tecnológicas e melhor qualidade do asfalto. Ora, mas não é só isso que interessa para quem mora aqui.

Mogi das Cruzes, além de Arujá e Santa Isabel, não vão passar de um mero corredor para paulistanos e outros moradores da Grande São Paulo que pretendem acessar as praias do litoral norte, como São Sebastião e Caraguatatuba, além das praias do litoral sul, como Bertioga, Santos e Guarujá. O retorno mesmo, em dinheiro, virá somente com o repasse do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN), que as concessionárias repassam aos municípios por cortar seu território, ou seja, é muito pouco para a quantia de dinheiro que os mogianos e demais moradores da região vão desembolsar para trafegar em um via que já tem um traçado regular e com poucos acidentes.

A Prefeitura de Mogi explicou ontem mesmo que vai tentar barrar, nem que seja na Justiça, essa cobrança, mas precisa agir no campo político também para tentar influenciar o governo do Estado a não instalar a cobrança. A batalha está só começando e já saímos em desvantagem.