O ócio depressivo II

Mauro Jordão
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Hoje há receita de antidepressivos para tudo: para parar de fumar, tensão pré-menstrual, engordar e emagrecer, motivos de tristeza por falta de dinheiro ou por desencontros afetivos. Dentre tantas patologias verdadeiras há tantas outras nomeadas como "doença", no livro da Classificação Internacional de Doenças (CID-10), somente para ter o direito de receber prescrição médica de psicoterápicos; afinal, as indústrias farmacêuticas necessitam vender e lucrar.

O abuso na receita desses medicamentos se faz, tantas vezes, em casos que poderiam ser dispensados, como também, na quantidade desnecessária. Das 350 milhões de pessoas que sofrem de depressão no mundo a Organização Mundial de Saúde aponta o Brasil como o país mais deprimido da América Latina, com seus 15 milhões de portadores da doença.

A ambição desmedida e egoísta do ser humano faz o empresário trocar a pessoa por máquina deixando-a sem trabalho e na miséria, produzindo o ócio depressivo. Em 1930, o grande economista Maynard Keynes imaginava que no ano 2000, graças à tecnologia, chegaríamos a trabalhar apenas 15 horas por semana e teríamos muito tempo livre. De que maneira ocupar esse tempo para evitar o tédio, a droga, a violência? A depressão?

Como empregar o tempo livre que a ciência e os juros compostos nos proporcionariam para viver bem e de maneira agradável? A sabedoria dos anos revela que não se pode perder o sentido da vida tanto na mente do abonado como do desocupado circunstancial, pois isso os levaria ao que chamamos de "cabeça vazia".

O dito popular diz que cabeça vazia é oficina de satanás. No mundo, o maior índice de suicídios acontece nas classes sociais mais abastadas. Hino sacro com a música do compositor finlandês Sibelius: "Descansa, ó alma, eis o Senhor ao lado;/ Paciente leva, e sem queixar-te, a cruz;/ Deixa o Senhor tomar de ti cuidado,/ Ele não muda o teu Fiel Jesus!" Deixa Cristo fazer uma faxina na sua mente, esvaziando-a do mal, e colocando nela o bem que agrada a Deus.