Poderia ser melhor

Durante a semana que passou, a reportagem desenvolveu diversos textos que abordavam a situação dos moradores do Alto Tietê em relação ao coronavírus (Covid-19). Abordamos a quantidade de pessoas com o vírus ativo, quantas conseguiram se livrar da doença, a relação das pessoas com comorbidades que já receberam a vacina, além da atualização quase diária de vacinados, ocupação de leitos e, infelizmente, dos mortos em razão da doença.

Apesar dos dados mais preocupantes, que são os internados em caso grave e os falecidos, parece haver uma luz no fim do túnel, haja vista que os curados e os vacinados aumentam a cada dia, e não dá para negar que isso é uma boa notícia.

Sim, é, mas poderia ser melhor. Durante a semana, representantes da Pfizer, em depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado, que aponta o que foi feito pelo governo federal no combate à Covid, veio a confirmação, já aventada no passado, quando as vacinas ainda estavam em desenvolvimento, que a farmacêutica havia oferecido 70 milhões de doses ao Brasil e, por meio do governo federal, o país teria recusado.

Se isso se confirmar, podemos estar diante de um crime. Setenta milhões de vacinas daria para vacinar 35 milhões de brasileiros, isso contando com a aplicação das duas doses do imunizante. Parte desses milhões de doses viriam para o Alto Tietê e a campanha de vacinação por aqui estaria mais desenvolvida e quem sabe quantas vidas poderiam ser salvas. Poderíamos estar como nos Estados Unidos, com a vacinação já em outro estágio e aberta para públicos mais jovens.

Infelizmente isso não ocorreu aqui por pura incompetência do governo federal, que, em atitudes quixotescas, teimava em negar o que era óbvio, e quando viu que a pandemia era algo sério, empurrou um remédio sem eficácia contra a doença e trabalhou para desestimular o uso de máscaras e acabar com o distanciamento social.

Se o trabalho para diminuir a tragédia fosse levado a sério, teríamos mais brasileiros, entre eles moradores do Alto Tietê, livres da doença.