Para além da Covid

Afonso Pola
Afonso Pola - FOTO: Daniel Carvalho/Mogi News

Desde o início de 2020 que o foco da nossa atenção está voltado para a pandemia de Covid-19 que atinge o mundo inteiro e, particularmente, o Brasil. Em nosso país esse vírus encontrou um ambiente bastante fértil, alimentado pelo intransigente negacionismo que acomete uma parte da nossa sociedade.

As pessoas continuam morrendo por diversas causas. Dados da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen) indicam a Covid como a maior causa isolada de mortes no Brasil em 2021. Corresponde a 28% do total de óbitos no ano.

No entanto, outras enfermidades continuam fazendo vítimas. Segundo o governo federal, o Brasil registrou aproximadamente 1 milhão de casos da dengue em 2020. Mais de 500 pessoas perderam a vida no ano passado.

Diferentemente da fake news que circula nas redes sociais afirmando que o Brasil não registrou nenhum caso de dengue em 2021, só na capital de São Paulo em quatro meses já tem mais casos do que todo o ano de 2020.

Além do aumento do número de casos de dengue, outro fato tem preocupado a sociedade brasileira. O mosquito Aedes aegypti não é transmissor apenas da dengue. Desde 2013 há registro de caso da chamada febre chikungunya também transmitida pelo mesmo vetor. Mesmo sendo menos grave que a dengue hemorrágica, essa febre causa grandes prejuízos à saúde pública e à produtividade.

Como podemos ver, por mais que a pandemia da Covid-19 seja mais impactante e já tenha causado mais de 436 mil mortes, não podemos relaxar a guarda em relação às outras enfermidades.

São muitos os motivos que contribuem para esse lamentável quadro. Desde o comportamento do cidadão comum que, por falta de informação ou de consciência, não contribui para a eliminação ou redução dos locais usados para a reprodução do mosquito, até a omissão das autoridades que insistem em não planejar ações permanentes para o enfrentamento da questão, são muitas as variáveis que conspiram para números tão constrangedores.