Por trás da máscara: conforto!

Raul Rodrigues
Raul Rodrigues - FOTO: Daniel Carvalho

Enquanto se está vivo, é impossível escapar de máscaras e nomes. Somos inseparáveis de nossas ficções: nossas feições Assim, máscaras são objetos ímpares. Com elas, podem-nos despir de toda e qualquer realidade interna que nos aflige para enfrentar o mundo externo com mais leveza e coragem.

Vou explicar de maneira mais clara: imagine que você, leitor, seja convidado para um baile de máscaras. Apesar de sua timidez, aceita o convite, pois, exatamente por poder usar o artifício da máscara, pode lidar melhor com sua introversão, com os relacionamentos estabelecidos junto a pessoas e, até mesmo com possíveis flertes que podem surgir.

Pois bem, em psicologia não se usa o termo "máscara", mas sim "defesa", com exatamente a mesma função: proteger daquilo que nós próprios julgamos ser perigoso e ameaçador.

É claro, que nós não estamos isentos de, em algum momento em nossas vidas, precisarmos fazer uso dessas defesas ou máscaras. Elas, muitas vezes, nos proporcionam coisas boas (como no caso das possíveis experiências de um baile de máscaras).

O problema sério existe quando, de tanto fazer uso de máscaras, acabamos por acreditar que sem elas não existe vida possível e saudável e, com isso, vamos por um caminho tornando-nos pessoas que não somos.

Dias atrás, olhos fixos na internet, me deparei com site que dizia o seguinte: "Uma geração que sente falta, mas não procura. Gosta, mas não demonstra. Tem na mão, mas não valoriza. Pisa na bola, mas não se desculpa. É a mesma geração que: reclama da solidão". Tempos pra lá de viróticos?

Creio que vamos nos parecendo cada vez mais com a pessoa do site, que sente falta, gosta, tem na mão e pisa na bola, mas crê que está tudo bem em ser ou estar assim e, o pior, se sentir só. De tanta defesa, aprende-se que todo e qualquer ambiente é hostil e com isso precisa-se cada vez mais da boa e velha máscara para não nos machucarmos. É quando se protege da Covid 19!