Idiotice: pra quê te quero!

Raul Rodrigues
Raul Rodrigues - FOTO: Daniel Carvalho

A idiotice é vital para a felicidade. Surpreendeu-se! Pense comigo: bom mesmo é ter problemas na cabeça, sorriso na boca e paz no coração. A Covid-19 escancarou a desigualdade em que se vive no Brasil, mas nem por isso deve-se deixar de ser um idiota. Como compensação, pela via oficial.

Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre. Putz! A vida já é um caos, ainda mais com a Covid-19 de plantão. Ainda por cima, por que fazermos dela, um tratado? Deixar a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores e afins. Ou simplesmente pelo fato de ser idiota: ficar em casa para se proteger dela.

No dia a dia, pelo amor de Deus, sejamos idiotas! Rir dos próprios defeitos e de quem acha defeitos em você. Ignorar o que o grotesco do presidente disse. Pense assim: quem tem que carregar aquela cara odiosa, todos os dias, inseparavelmente, é ele.

Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho para tudo? Soluções insensatas, mas não consegue rir quando tropeça? Alguém que tenta resolver crises ministeriais, mas não tem a menor ideia de como preencher as horas livres do fim de semana.

É bem comum, gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí, o que elas farão se já não têm por que se apegar? Desaprenderam a brincar e se voltam para a incriminação dos outros. Eu não quero alguém assim comigo. Você quer? Espero que não, apesar de ter escolhido "ele".

Tudo que é mais difícil, é mais gostoso. No entanto, a realidade é dura; piora se for compacta. Dura, densa: bem ruim. Brincar é legal. Entendeu? Esqueça o que te falaram sobre ser sério, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não chorar, não tomar chuva.

Teste a sugestão: uma semaninha, para começar. Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que realmente são: passageiras. Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso adiante, ou sorrir.