Campanha

Cedric Darwin
Cedric Darwin - FOTO: divulgação

Primeiro no Distrito Federal, depois no Rio de Janeiro, o presidente da República, em plena pandemia, no curso de uma CPI no Senado, com baixa oferta de vacinas e em plena crise de emprego e renda decide antecipar sua campanha à reeleição. As "motociatas" antecipam sua campanha para a Presidência, movimento que se deu logo após o anúncio de que Lula é candidato ao cargo.

Inoportuna é qualificação mínima desses atos. Provocando aglomeração e descurando o uso de máscaras, Jair continua trabalhando contra o arrefecimento da pandemia e, com suas condutas, incentiva as pessoas a se exporem ao risco. Contra as restrições de circulação e ameaçando governadores e prefeitos, quer tudo aberto mesmo sem a cobertura vacinal necessária. O abre e fecha sem o necessário avanço da vacinação não ocorrerá mais. Sem ajuda e linhas de crédito, os sobreviventes ficarão abertos.

Infelizmente não há mais clima nem credibilidade para manter as restrições impostas pelos poderes públicos. Estamos avançando para o ano eleitoral, em 2022 o Brasil elege presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais. Todos que aí estão são candidatos e o peso político será maior que as responsabilidades sanitárias. Ninguém quer ser antipático, ainda que isso custe ainda mais vidas.

Mesmo com mais de 450 mil mortos por Covid, o presidente não demonstra nenhuma compaixão ou respeito por milhões de enlutados. Também não se empenha na obtenção de vacinas, age como se nada estivesse acontecendo no Brasil. Essa postura terá um custo político.

A aprovação e a reeleição se dá quando o povo vive uma situação de bem-estar social. A pergunta que o eleitor se faz é, hoje está melhor que ontem? Sim, então vamos manter quem está no poder, o inverso é verdadeiro. Se as coisas não vão bem é hora de trocar. Nesse aspecto, a realidade será dura com Bolsonaro, desemprego, desvalorização do real e inflação de itens básicos geram um clima generalizado de insatisfação que reflete nas urnas. Entre a ideologia, o discurso e o bem-estar social, a grande maioria do eleitorado prefere o último. É por isso que Lula incomoda e Bolsonaro subiu na motoca.