Cartórios e vacinação

Arthur Del Guércio Neto
Arthur Del Guércio Neto - FOTO: Divulgação

Por mais que muitas pessoas preguem o contrário, aparentemente, a pandemia originada com o coronavírus está longe de um desfecho. Uma das principais razões é o fato de a vacinação estar bastante atrasada.

A vacina pode não ser uma proteção absoluta, mas nota-se que está essencialmente atrelada ao retorno a um estilo de vida menos preocupado e perigoso.

No Brasil, o processo de vacinação vem sendo organizado com a observância de alguns critérios, como faixa etária, existência de comorbidades que comprometam a saúde de certas pessoas e, também, da essencialidade da função/profissão, desenvolvida por aqueles que sonham com a dose.

Nesse contexto, impossível não defender que a classe notarial e registral, composta por tabeliães, oficiais e suas equipes de colaboradores, seja considerada como desenvolvedora de atividades essenciais para fins de vacinação.

Sei que o tema é controverso, e não quero entrar no mérito do quão essencial outras atividades podem ser, pois o foco não é comparar. Realmente há inúmeras profissões que mereceriam o tratamento especial.

No entanto, é inegável a atuação contínua dos cartórios desde o início da pandemia, sem interrupção nem intervalo, garantindo à sociedade sequência em momentos valiosos de suas vidas. Lembre-se de que os cartórios participam de atos pessoais, como nascimento, casamento e óbito, assim como de atos negociais, como a transmissão imobiliária.

Nos ápices de medo e pânico na sociedade, poucos mantiveram as suas portas abertas, e entre esses poucos estavam e estão os cartórios.

Boa parte das serventias adotou rígidas medidas de contenção ao vírus, visando proteger as equipes e o público. Dentro desse universo de medidas protetivas, a vacinação de todos que trabalham em cartórios seria medida salutar.

Algumas associações de classe já tentaram, sem sucesso, tal prerrogativa, mas ainda assim registro aqui o meu apoio à vacinação de todos que trabalhem nos cartórios, essenciais à paz social.

Arthur Del Guércio Neto é tabelião de Notas e Protestos em Itaquaquecetuba