1º sinal contra o pedágio

Mesmo sem motivos para comemorar com muito entusiasmo, a negativa da Justiça para o projeto de implantação de uma praça de pedágio na rodovia Mogi-Dutra (SP-88), formulado pela Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp), já traz uma sensação de que Mogi das Cruzes está viva na batalha. Ainda cabe recurso e a liminar pode ser derrubada a qualquer momento, mas este primeiro sinal positivo em mais de dois anos dá ânimo à sociedade civil e moral aos políticos locais envolvidos nessa luta.

Como disse o deputado federal Marco Bertaiolli (PSD), não foi por não querer desenvolvimento para o Alto Tietê que Mogi e demais cidades da região entraram neste confronto com a Artesp, mas, sim, pelo fato de a rodovia estar pronta, o que derruba a necessidade de instalação do pedágio.

Às vezes, quando estamos vivenciando uma situação, não percebemos o risco de ser apunhalado pelas costas. Apenas depois do golpe temos condição de juntar as peças do quebra-cabeça e perceber o processo que foi construído antes da pancada. No caso do pedágio, é possível que a ideia tenha sido arquitetada anos atrás, talvez até há mais de uma década, quando a Mogi-Dutra começou a ser duplicada no trecho de Mogi das Cruzes e, anos depois, no de Arujá, entregue recentemente. O governo estadual deixou a rodovia no jeito para receber a praça de cobrança, mas isso não passava no imaginário da imprensa e políticos naquela época.

Se Mogi desconfiasse disso, teria pensado duas vezes antes de pleitear a duplicação da rodovia, embora a segurança dos usuários tenha sido o foco ao pedir o alargamento das pistas. Ainda por cima, a Artesp oferece uma contrapartida que Mogi não quer, ou seja, intervir drasticamente em vias perimetrais sem autorização da Câmara Municipal e Prefeitura de Mogi. O edital impõe à empresa vencedora da licitação a construção de sete viadutos e três rotatórias nas vias municipais. Assim, o projeto fere a autonomia municipal.

Muita água ainda vai rolar antes do desfecho definitivo, mas a suspensão da licitação, mesmo que temporária, era o impulso que Mogi precisava para se manter de pé na discussão.