Filas em creches

Acredita-se que há critérios sólidos para o retorno seguro das aulas presenciais na Educação Infantil e Ensino Fundamental, mesmo com o risco iminente da terceira onda da Covid-19. Essa atitude, certamente, será cobrada depois, caso haja um surto de contaminação dos profissionais da Educação, pais e responsáveis pelos alunos.

Para que a ação tenha sucesso, será preciso cobrar muito da fiscalização e divulgar bem as ações que justifiquem o retorno das aulas. A população precisa estar ciente de que a pandemia continua e que seu fim depende do coletivo. Quando essa situação estiver controlada, contudo, será preciso resolver outro problema dentro das creches: as filas de espera.

A Secretaria de Educação de Mogi das Cruzes se comprometeu em zerar, até o final desta gestão, a fila de 1.740 crianças em busca de matrículas nas creches municipais. O prefeito Caio Cunha (Pode) garantiu que este é um dos principais compromissos no setor. Mogi deverá enviar, nos próximos dias, ao Ministério Público, um cronograma apontando quando as vagas prometidas estarão disponíveis. Os diálogos junto ao MP têm sido constantes devido a uma ação civil pública em trâmite na Vara da Infância e Juventude desde o início do ano contra a Prefeitura. Essa é uma demanda não só de Mogi, mas de todos os municípios. Uma falha grave. Ferraz, até o ano passado, possuía, 1.510 crianças fora da rede de atendimento educacional em idade de creche. Panorama parecido existe nas demais cidades do Alto Tietê. A capital paulista tem mais de 2,6 mil crianças na fila de espera por uma vaga em creches, de acordo com a Prefeitura.

A logística para encaixar os alunos nas escolas não é simples, pois é necessário que a Prefeitura disponibilize unidades de ensino que atendam a todos os bairros, caso contrário, fica difícil a locomoção dos pais que trabalham fora. O trabalho é árduo e, durante a pandemia, ficou mais complicado organizar as filas. Mesmo assim, é necessário que o trabalho continue. Sonho imaginar todas as crianças nas escolas? Pode ser, mas se houver vontade política, o impossível pode e deve se tornar possível.