O menor dos problemas

Em meio a uma iminente terceira onda da pandemia da Covid-19, o Brasil vai sediar a Copa América de Futebol a partir deste domingo. A discussão vai além dos possíveis riscos de aumento de casos de coronavírus, uma vez que as partidas serão realizadas com os portões fechados. Há uma boa parcela de críticos e população em geral acreditando que a competição não deveria ocorrer em lugar algum, muito menos no Brasil, um dos países com os maiores números de casos e de mortes pela doença no mundo.

O risco sanitário causa um natural anticlímax para a disputa do torneio entre países da América do Sul, o que fez Argentina e Colômbia negarem sediar o campeonato, diferente do Brasil de Bolsonaro, que resolveu abraçar o evento esportivo.

Havia uma expectativa de que, na terça-feira passada, os jogadores da seleção brasileira e o técnico Tite fizessem um histórico pronunciamento, no qual negariam entrar em campo para a disputa da Copa América. Não aconteceu. Se o perfil contestador nunca foi encontrado facilmente entre jogadores do futebol brasileiro, ingenuidade esperar algum posicionamento político desses atletas "euro-brasukas" da nova geração, que sequer têm grande afinidade com o país de origem. Não obrigado, o técnico Tite também nunca mostrou nenhum posicionamento político, muito embora a trocar carícias com cartolas da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) signifique algo, mesmo que subliminarmente.

Em partes, esse cenário esdrúxulo explica um pouco do por quê demandas dos municípios deixam de ser atendidas ou, quando são, quase nunca ficam prontas conforme o prazo determinado. Se existe falta de compromisso e incoerência por parte do governo federal em relação à pandemia no Brasil, é lógico que, quando essa cadeia chega às esferas mais baixas, como os municípios, os desmandos e insensatez estão presentes.

Na prática, a realização da quase irrelevante Copa América é o menor dos problemas, mas a atitude de aprova-la a ser disputada em solo brasileiro, reforça a que nível de importância a pandemia da Covid-19 é tratada e ajuda a entender a natural e consequente falta de interesse político em relação aos municípios.