Copa

Cedric Darwin
Cedric Darwin - FOTO: divulgação

Infelizmente estamos próximos de meio milhão de vítimas da Covid e, ao invés da busca incansável por mais vacinas assistimos, o governo federal está preocupado em acolher a Copa América. Recusada por duas nações por motivos óbvios, no Brasil encontrou guarida.

Todos sabem que futebol é sinônimo de muito dinheiro, razão pela qual os campeonatos internos não param, mas daí a receber uma competição internacional, sem qualquer planejamento ou preparação, parece demais. Mas não é, não no Brasil e não para o nosso presidente, que pretende até palpitar na CBF. Todo brasileiro é técnico de seleção, mas daí a se preocupar com a seleção em meio a maior crise sanitária dos últimos tempos revela apenas a absoluta falta de prioridade e importância.

Ninguém, exceto aqueles que vivem do negócio futebol, está preocupados com a Copa América ou qualquer outro evento. A preocupação hoje é com a imunização, com a chance de sobreviver. Claro que qualquer brasileiro gosta de futebol, não é essa a questão, todos gostam da seleção brasileira, o problema é o momento de luto, de tristeza e de instabilidade. Estamos preocupados com o preço de combustíveis, do gás de cozinha, de alimentos, coisas que impactam nossas vidas todos os dias.

O futebol é importante, mas não o mais importante agora, nem nunca, exceto para quem vive desse esporte e do mundo de negócios que gira em torno dos eventos que não é pouco dinheiro. Chegamos a judicializar a Copa América, o STF, que já tem tanta coisa para julgar vai ter que se pronunciar sobre a Copa. Isso não é problema do judiciário isso é problema de Governo, aliás, nem de governo, de bom senso. E é isso que falta ao governo, bom senso.

Futebol e política caminham juntos, o uso político do futebol é claro e o presidente pretende capitalizar com a Copa América, assim como Lula fez com as Olimpíadas e a Copa do Mundo. Parece que a humilhação pela goleada histórica de 7 x 1 para Alemanha não surtiu muito efeito. Não aprendemos muito desde então. Segue o jogo e a luta pela vida, pelas vacinas e pelo novo normal, bola para frente, mesmo com o luto e a crise de meio milhão de famílias brasileiras.

Cedric Darwin é mestre em Direito e advogado