100 mil casos

O Alto Tietê quebrou durante esta semana a barreira dos 100 mil casos de coronavírus (Covid-19). O dado é em relação às dez cidades e levam em conta tanto os que já se recuperaram quanto aqueles que não resistiram à doença e os que ainda estão com o vírus ativo no corpo, internados ou não.

É surpreendente que em uma região com aproximadamente 1,5 milhão de pessoas, 100 mil delas tenham se contaminado, e mais de 4 mil morrido em consequência dela, ou seja, cerca de 6% da população regional.

A doença dá sinais claros que está fora de controle, não só por aqui, mas em todo o país. Só para focar na situação regional, os dados de isolamento social não chegam nem perto dos 50% das nossas cidades, e os hospitais estaduais seguem trabalhando com capacidade no limite, com foi o caso do Regional Dr. Osíris Florindo Coelho, em Ferraz de Vasconcelos, e o Santa Marcelina, em Itaquaquecetuba. No decorrer dessa semana que passou, ambas as unidades operaram com 100% de ocupação nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) voltadas para o tratamento do coronavírus.

É preciso colocar na conta a lentidão da vacinação contra a doença e a possibilidade de uma terceira onda de contaminação, potencializada pelas variantes criadas ao redor do planeta.

Voltando a um cenário mais nacional, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) revelou na sexta-feira que está pensando em um parecer para desobrigar o uso de máscaras por aqueles que já se vacinaram e que já foram contaminados com a Covid. A medida é descabida porque, para variar, não está calcada em estudos e observações, e sim no achismo presidencial.

Embora a doença já tenha mais de um ano por aqui, seu desenvolvimento ainda é desconhecido e boa parte do que está sendo aprovado, nomeadamente as vacinas, é emergencial, o que quer dizer que, num período de maior controle, os estudos continuarão para conhecer melhor o coronavírus. Por isso, é importante seguir com a máscara, o inimigo é desconhecido, mas há quem ache que sabe mais do que realmente entende e esse tipo de gente deve ficar de fora do debate.