Efeitos da pandemia

Afonso Pola
Afonso Pola - FOTO: Daniel Carvalho/Mogi News

O Brasil vive uma grave crise. Ela é sanitária, econômica, social e política e exige de toda a sociedade, particularmente dos governantes e representantes do povo, uma prática cidadã baseada nos princípios da solidariedade, da dignidade humana e da democracia.

O esforço do governo em tentar vender a ideia de que todo esforço está sendo feito para superar a crise não resiste mais que poucos minutos. É só acompanharmos o comportamento público da nossa maior autoridade para comprovar a tal inépcia.

Houve comemoração do governo com a nova estimativa do mercado para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) pela oitava vez consecutiva. Mas outros indicadores trouxeram más notícias. Na contramão do PIB, a renda do brasileiro caiu 10% com inflação em alta e desemprego recorde é o que mostra levantamento realizado pelo Ibre-FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas).

Neste ano, mesmo com o crescimento acima do esperado do PIB e com uma boa abertura de vagas formais, a queda da renda continuou. Com uma inflação estimada pelos economistas em 5,82% para 2021, o efeito 'bola de neve' sobre inflação ameaça a recuperação do consumo. Temos ainda um elevado risco de convivermos com uma crise hídrica que deverá pressionar o valor da energia elétrica e isso deve provocar aumentos de preços de forma generalizada.

A alta do PIB combinada com a queda da renda média domiciliar indica que o processo de concentração de riqueza nas mãos de poucos privilegiados continua em curso e fragiliza ainda mais os segmentos mais vulneráveis.

O mesmo acontece no setor empresarial. Empresas pequenas e médias, que são as que mais empregam, estão fechando as portas sem acesso a crédito. Pedidos de falência no setor de serviços quase dobraram em março, de acordo com o Serasa.

Com a redução do valor do auxílio emergencial e a sinalização do governo que ele terá breve duração, sem medidas econômicas para proteger as pequenas e médias empresas, não há nada no horizonte que traga otimismo.